Todos os dias se suicidam pessoas, mas ontem o tema ganhou maior projecção pública porque se suicidou um jogador de futebol: Robert Enke, o internacional germânico de 32 anos que representou clubes como o Benfica, o Barcelona, Fenerbahçe, e o Hannover.
A notícia chocou toda a gente por várias razões, das quais destaco quatro:
1 – Leva-nos a perceber que afinal há muitas coisas que não são tão importantes como pensávamos e que a vida é demasiado curta para perdermos tempo a fazer mal uns aos outros.
2 – Conduz-nos à conclusão de que a vida nem sempre é o que aparenta, pois nunca sabemos o grau de felicidade de cada um nem os problemas diários que cada pessoa enfrenta, sobretudo aquelas que nos parecem não ter problemas nenhuns.
3 – O facto de ser desportista de sucesso e de ganhar muito dinheiro não é tudo na vida. A família e a vida de um filho são incomparavelmente mais importantes do que tudo isso. Claro que em 90% dos casos só se dá valor ao que se perde e não ao que se tem.
4 – Recordamos que a depressão é uma das piores doenças e que cada vez afecta mais pessoas. É uma espécie de doença “invisível”, não assumida por muitos, cujo tratamento é muito difícil e nem sempre se consegue a cura.
Segundo as notícias que li, o guarda-redes sofria de depressões e, no próprio dia em que se suicidou, Enke falou ao telefone com o médico, e recusou continuar os tratamentos. Deixou também uma carta de despedida, apresentando desculpas aos familiares e aos médicos que o assistiram por lhes ter ocultado a sua situação de desespero e a vontade de se matar.
Aos jornalistas, a sua mulher, Teresa Enke, disse que “faltava-lhe ânimo, não tinha esperança de se curar, e tinha medo de que o público soubesse”. Lembrou que a filha do casal faleceu há três anos, com apenas dois de idade, devido a um problema cardíaco. A viúva de Enke disse ainda: “Tentei dar-lhe perspectivas e esperança, dizia-lhe que nem tudo era mau, que havia coisas belas na vida, mas infelizmente não resultou”. “Pensámos que conseguiríamos com amor, mas às vezes o amor não basta”.
Coisas da vida. Da vida actual.
Para todos reflectirem.